segunda-feira, 9 março, 2026
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Ver, Respeitar e Partilhar: Uma Reflexão para a Semana da Mulher

“Eu não sei o que é ser mulher — mas eu vejo.”

Humildade e observação como ponto de partida

Começar por admitir que não se sabe o que é ser mulher é um exercício de humildade necessário para qualquer reflexão masculina sobre a condição feminina. Essa confissão — “eu não sei” — não retira a obrigação de olhar, escutar e agir.

Ver a mulher que organiza a casa, cuida dos filhos e enfrenta uma jornada profissional revela que o reconhecimento, por si só, não resolve a desigualdade. É preciso transformar percepção em repartição concreta de responsabilidades.

Referências e limites do reconhecimento

A Constituição Federal garante igualdade de direitos e obrigações entre homens e mulheres; essa base legal é importante, mas a letra da lei nem sempre muda as práticas cotidianas. Referências culturais e religiosas — como a passagem de Provérbios 31 que descreve a mulher trabalhadora — ajudam a valorizar o trabalho feminino, sem, no entanto, isentar a sociedade de agir.

Reconhecimento e respeito devem começar por ouvir, evitando centrar a narrativa em quem observa. Dizer “eu vejo” é uma confissão válida, mas insuficiente sem escuta ativa às vozes das próprias mulheres e sem medidas concretas.

O que fazer na prática

Transformar reconhecimento em parceria exige ações simples e organizadas no dia a dia e mudanças institucionais. Algumas medidas práticas:

  • Tornar concreta a divisão de tarefas: mapear rotinas domésticas e combinar responsabilidades para reduzir sobrecargas.
  • Repartir o cuidado infantil: assumir escalas claras para levar e buscar, cuidar à noite ou nos fins de semana e participar de atividades escolares.
  • Ajustar rotinas de trabalho: negociar jornadas, flexibilizar horários e combinar pausas e revezamentos para conciliar trabalho e cuidados familiares.
  • Fomentar espaços de diálogo: criar momentos regulares em família e no trabalho para checar sobrecargas e redistribuir tarefas.
  • Apoiar políticas institucionais: incentivar licenças parentais compartilhadas, horários flexíveis, creches acessíveis e práticas que valorizem a corresponsabilidade.
  • Educar pelo exemplo: dividir tarefas visivelmente e falar sobre isso para formar modelos de parceria nas gerações futuras.

“Mais do que flores, o que importa é praticar o respeito, a parceria, a divisão de responsabilidades.”

Sérgio Rosa

Evitar paternalismo e amplificar vozes

Evitar o paternalismo requer prática: não presumir soluções a partir de uma visão externa e não transformar o gesto de ver em autoelogio. Em vez disso, perguntar “o que é preciso agora?” e “como posso ajudar?” são atitudes concretas.

Homens que reconhecem sua limitação de experiência devem usar sua posição para amplificar vozes femininas — abrindo espaço, ouvindo relatos e apoiando propostas prioritárias apresentadas por mulheres.

Conclusão

Retomo a humildade inicial: eu não sei o que é ser mulher, mas eu vejo e, por isso, respeito. Que esse respeito se traduza em ações diárias — visíveis e comprometidas — que diminuam a sobrecarga e ampliem a igualdade real.

Sérgio Rosa,  advogado, Presidente da Oab/Sumaré: 2004-2006; 2007-2009 e 2010-2012, Vereador 2017-2020
Sérgio Rosa, advogado, Presidente da Oab/Sumaré: 2004-2006; 2007-2009 e 2010-2012, Vereador 2017-2020
Fonte: Sérgio Rosa

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