A cena registrada na UPA Engenheiro Marcos Aurélio de Marchi, em Sumaré, em dezembro do ano passado — pacientes em cadeiras de rodas atravessando água barrenta e funcionários improvisando rodos na recepção — expõe que eventos climáticos extremos deixaram de ser exceção e viraram parte da rotina urbana.
O problema e seus impactos
O episódio na unidade de saúde mostrou que, quando equipamentos públicos alagam, a dimensão do problema ultrapassa a esfera urbana e assume caráter humanitário: atendimento interrompido, risco à população vulnerável e impacto direto na prestação de serviços essenciais.
Os alagamentos têm se repetido em diferentes municípios da região, afetando vias, bairros inteiros e infraestrutura pública. Essa recorrência não pode ser tratada como um acidente isolado, mas como sinal de que a infraestrutura não acompanha a nova realidade climática.
Causas apontadas
Especialistas e técnicos relacionam o fenômeno a mudanças no regime de chuvas — volumes intensos em curtos intervalos — combinadas à impermeabilização excessiva do solo, falta de manutenção de galerias pluviais e ausência de obras estruturais. Ondas de calor mais frequentes, chuvas torrenciais e estiagens seguidas de tempestades exigem respostas de longo prazo.
Sem investimentos em drenagem e sem ações de planejamento, medidas emergenciais ou notas oficiais não resolvem a vulnerabilidade estrutural.
O que os municípios devem fazer
Cabe aos governos municipais assumir protagonismo com obras e manutenção continuada: drenagem eficiente, ampliação e modernização de galerias pluviais, desassoreamento permanente de córregos, criação de piscinões e áreas de retenção de água e revisão do uso e ocupação do solo.
Construir ou reformar equipamentos públicos sem avaliar risco de alagamento é repetir erros que custam caro à população.
Papel do Estado e da União
O problema extrapola limites administrativos. Estado e União precisam operacionalizar programas de financiamento para obras de contenção, investir em infraestrutura verde, recuperar áreas de várzea e oferecer apoio técnico aos municípios por meio de planejamento regional integrado.
Prevenção e adaptação
Além das obras físicas, políticas de prevenção reduzem riscos: sistemas de alerta eficientes, planos de contingência claros, treinamento de equipes, mapeamento de áreas de risco e comunicação transparente com a população.
Para enfrentar ondas de calor, é necessário ampliar áreas verdes, promover arborização urbana e adaptar prédios públicos às novas condições climáticas.
A adaptação à nova realidade climática não é pauta futura; é urgência do presente que exige decisão política, investimento contínuo e planejamento sério.
Recomendações para cobertura jornalística
Sugerem-se reportagens de acompanhamento para documentar a execução e a eficácia das medidas propostas:
- Manutenção das galerias pluviais: frequência, orçamento e contratos;
- Financiamento e execução de obras de contenção de enchentes;
- Prontidão de unidades de saúde e outros equipamentos públicos em dias de chuva intensa;
- Mapeamento de áreas de risco e políticas de reassentamento ou adaptação.




