quarta-feira, 25 fevereiro, 2026
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UPA alagada em Sumaré expõe urgência de obras e políticas para enfrentar eventos extremos na região

A cena registrada na UPA Engenheiro Marcos Aurélio de Marchi, em Sumaré, em dezembro do ano passado — pacientes em cadeiras de rodas atravessando água barrenta e funcionários improvisando rodos na recepção — expõe que eventos climáticos extremos deixaram de ser exceção e viraram parte da rotina urbana.

O problema e seus impactos

O episódio na unidade de saúde mostrou que, quando equipamentos públicos alagam, a dimensão do problema ultrapassa a esfera urbana e assume caráter humanitário: atendimento interrompido, risco à população vulnerável e impacto direto na prestação de serviços essenciais.

Os alagamentos têm se repetido em diferentes municípios da região, afetando vias, bairros inteiros e infraestrutura pública. Essa recorrência não pode ser tratada como um acidente isolado, mas como sinal de que a infraestrutura não acompanha a nova realidade climática.

Causas apontadas

Especialistas e técnicos relacionam o fenômeno a mudanças no regime de chuvas — volumes intensos em curtos intervalos — combinadas à impermeabilização excessiva do solo, falta de manutenção de galerias pluviais e ausência de obras estruturais. Ondas de calor mais frequentes, chuvas torrenciais e estiagens seguidas de tempestades exigem respostas de longo prazo.

Sem investimentos em drenagem e sem ações de planejamento, medidas emergenciais ou notas oficiais não resolvem a vulnerabilidade estrutural.

O que os municípios devem fazer

Cabe aos governos municipais assumir protagonismo com obras e manutenção continuada: drenagem eficiente, ampliação e modernização de galerias pluviais, desassoreamento permanente de córregos, criação de piscinões e áreas de retenção de água e revisão do uso e ocupação do solo.

Construir ou reformar equipamentos públicos sem avaliar risco de alagamento é repetir erros que custam caro à população.

Papel do Estado e da União

O problema extrapola limites administrativos. Estado e União precisam operacionalizar programas de financiamento para obras de contenção, investir em infraestrutura verde, recuperar áreas de várzea e oferecer apoio técnico aos municípios por meio de planejamento regional integrado.

Prevenção e adaptação

Além das obras físicas, políticas de prevenção reduzem riscos: sistemas de alerta eficientes, planos de contingência claros, treinamento de equipes, mapeamento de áreas de risco e comunicação transparente com a população.

Para enfrentar ondas de calor, é necessário ampliar áreas verdes, promover arborização urbana e adaptar prédios públicos às novas condições climáticas.

A adaptação à nova realidade climática não é pauta futura; é urgência do presente que exige decisão política, investimento contínuo e planejamento sério.

Da redação

Recomendações para cobertura jornalística

Sugerem-se reportagens de acompanhamento para documentar a execução e a eficácia das medidas propostas:

  • Manutenção das galerias pluviais: frequência, orçamento e contratos;
  • Financiamento e execução de obras de contenção de enchentes;
  • Prontidão de unidades de saúde e outros equipamentos públicos em dias de chuva intensa;
  • Mapeamento de áreas de risco e políticas de reassentamento ou adaptação.

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