A repercussão da Operação Coffee Break abriu uma fissura no cenário político de Sumaré após a Polícia Federal apurar suspeitas de fraudes em licitações e desvios em contratos da Educação firmados durante a gestão do ex-prefeito Luiz Dalben. Agora, Hélio Silva sugeriu a abertura de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para investigar irregularidades na área educacional.
A proposta apresentada visa que a Câmara assuma protagonismo diante dos desdobramentos recentes: o município apareceu duas vezes em menos de dez dias no radar da Polícia Federal — primeiro na 8ª fase da Overclean e, depois, na Coffee Break, com foco em contratos da Educação da administração Dalben.
Na sessão desta terça-feira (25), Hélio defendeu que a Casa dê uma resposta à população e formalize mecanismos de apuração. A iniciativa tem caráter ambíguo: atende à pressão pública por investigação, mas também força o Legislativo a revisitar uma base política da qual parte dele participou no passado.
Informações da operação
- Data: 12 de novembro
- Mandados: 50 mandados de busca e apreensão
- Prisões: 6 prisões preventivas
- Alvo: contratos da Educação da gestão do ex-prefeito Luiz Dalben
A investigação aponta, segundo a Polícia Federal, vínculos suspeitos entre um ex-secretário de Educação que atuou no governo Dalben e fornecedores. A operação reforçou as desconfianças sobre a fragilidade dos processos licitatórios daquele período e sobre possíveis desvios estruturais na área educacional.
Na época dos fatos, o Legislativo não promoveu investigações mais amplas, em grande parte porque o grupo político do ex-prefeito mantinha uma base sólida, da qual Hélio fazia parte. Relatos apontam que, em 2024, denúncias feitas pelo Jornal Spasso Cidades não foram convertidas em apurações institucionais pela Câmara.
Se a CEI for formalmente protocolada, o parlamento terá a oportunidade de demonstrar se pretende apenas reagir à pressão pública ou se está disposto a avançar na investigação dos nós administrativos deixados pela gestão passada — inclusive com autocrítica sobre omissões anteriores.
A Coffee Break escancarou que os problemas na Educação não nasceram agora e que muitos deles floresceram sob silêncio conveniente. Resta saber se haverá disposição política para conduzir a fiscalização sem blindagens e sem receio de atingir antigos aliados.
Fonte: Da redação




