sexta-feira, 9 janeiro, 2026
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Saúde mental dos idosos: sinais de alerta e orientações para famílias

Envelhecer é uma experiência diversa: enquanto algumas pessoas de 90 anos mantêm boa disposição, outras aos 60 já apresentam fragilidades — e a saúde mental costuma pesar nesse percurso.

Por que a saúde mental é afetada

Mudanças físicas, como diminuição da visão e variações de peso, são parte do envelhecimento, mas vivenciá-las pode ser difícil e impactar a saúde mental.

Aspectos emocionais podem ser abalados já na chamada crise da meia-idade, por volta dos 40 anos, e se somam às limitações físicas que aparecem mais tarde. Perdas frequentes na terceira idade — de mobilidade, da companhia dos filhos ou pela viuvez — exigem adaptações constantes e podem gerar ansiedade, angústia, medo e tristeza intensa.

Alguns idosos recorrem ao isolamento por vergonha ou negação de que precisam de ajuda, e o olhar estereotipado que valoriza a juventude pode prejudicar a autoestima e agravar questões emocionais.

Dados e a depressão na terceira idade

Dados do IBGE mostram que o número de idosos cresceu 18% entre 2012 e 2017, superando 30 milhões de pessoas — um reflexo do aumento da expectativa de vida que exige olhar para além dos anos vividos e considerar a qualidade desse tempo.

O transtorno mental mais frequente na terceira idade é a depressão: segundo a Pesquisa Nacional de Saúde de 2019, idosos lideram os quadros depressivos entre os brasileiros. Dados do Ministério da Saúde de 2018 indicam alta taxa de suicídio entre pessoas com mais de 70 anos — 8,9 mortes a cada 100 mil idosos, contra uma média nacional de 5,5 por 100 mil.

Entre 2011 e 2018 foram registradas 293.203 lesões autoprovocadas no país; 11.438 ( 3,9% ) envolveram indivíduos com mais de 60 anos, com participação relativa nas notificações de 3,8% em 2011 e 3,3% em 2018.

Sinais de alerta

Fique atento aos sinais cognitivos e emocionais que podem indicar necessidade de intervenção:

  • Falhas na memória, lentidão no pensamento e dificuldade de raciocínio;
  • Apatia, tristeza persistente e mudanças de humor;
  • Excesso ou perda de sono;
  • Isolamento social e perda de interesse por atividades antes apreciadas;
  • Comportamentos de risco, como esquecimento frequente de panelas no fogo ou perda do interesse em viver.

A gravidade aumenta quando há risco à própria vida. Nesses casos, a busca por profissionais de saúde e por tratamentos é fundamental.

Envelhecimento ativo: corpo, mente e sociedade

O envelhecimento com qualidade de vida também é chamado envelhecimento ativo, que reúne oportunidades contínuas de saúde, participação e segurança para os idosos. A Organização Mundial da Saúde e políticas nacionais defendem que a velhice seja uma experiência positiva, exigindo comprometimento de pessoas e instituições públicas e privadas.

“A palavra ‘ativo’ refere-se à participação contínua nas questões sociais, econômicas, culturais, espirituais e civis, e não somente à capacidade de estar fisicamente ativo ou de fazer parte da força de trabalho”

Documento da política de saúde do governo brasileiro

Interdependência e solidariedade entre gerações são indispensáveis para esse modelo, que valoriza inclusão e suporte social além do cuidado estritamente médico.

Orientações práticas para famílias e cuidadores

Comunicação e equilíbrio entre amparo e autonomia são essenciais. Algumas práticas recomendadas:

  • Mantenha diálogo e escuta para que o idoso possa expressar vontades e necessidades;
  • Estimule hábitos saudáveis: alimentação adequada, atividade física regular e sono de qualidade;
  • Preserve interações sociais e incentive metas pessoais, como viagens ou projetos significativos;
  • Evite rótulos pejorativos (por exemplo, “ranzinza”, “teimoso” ou “gagá”) e respeite individualidades;
  • Reconheça quando a presença familiar é necessária, mas evite cuidado excessivo que cerceie a independência.

Buscar apoio profissional

Ao identificar sintomas persistentes ou risco à integridade, procure profissionais de saúde mental. A intervenção adequada pode reduzir sofrimento e melhorar a qualidade de vida na terceira idade.

Familiares e cuidadores devem manter diálogo atento, estimular atividades sociais e hábitos saudáveis e não hesitar em buscar acompanhamento especializado.

Fonte: Unimed

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