Falhas recorrentes nas Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) de Hortolândia e Paulínia revelam problemas estruturais na Sabesp que tendem a se agravar com o processo de privatização conduzido pelo governador Tarcísio de Freitas.
Relatórios e reclamações persistentes
Relatórios da Arsesp apontam falhas graves de operação nas unidades, enquanto moradores e prefeitos vêm denunciando há anos mau cheiro constante e falhas operacionais.
Em Hortolândia, a ETE próxima a áreas residenciais passou a ser vistoriada mensalmente desde o segundo semestre de 2025, após uma escalada de reclamações por odores que afetam a qualidade de vida.
Mesmo com laudos técnicos indicando problemas, soluções definitivas seguem adiadas e a resposta costuma se limitar a reuniões públicas para “prestar contas”.
Casos locais e padrão repetido
Em Paulínia, embora a ETE tenha características próprias, o roteiro se repete: reclamações persistentes, pressão do poder público municipal e respostas lentas da companhia.
O discurso oficial traz anúncios de investimentos e estudos em andamento, mas, na prática, os problemas se arrastam por anos e a população convive com desconforto diário e riscos ambientais.
Riscos à saúde pública e ao meio ambiente
Saneamento básico não é um serviço qualquer: falhas em estações de tratamento extrapolam o incômodo do mau cheiro. Representam risco de contaminação do solo e da água, proliferação de vetores e impactos diretos na saúde coletiva.
Quando uma empresa falha repetidamente nesse setor, a questão deixa de ser apenas técnica e assume contornos políticos e sociais, afetando direitos básicos e dignidade da população.
Privatização e implicações
A privatização da Sabesp transforma um serviço essencial em ativo sujeito à lógica do mercado financeiro. Há risco de prioridade à rentabilidade para investidores, com decisões tomadas por pessoas que não convivem com os impactos locais.
A promessa de eficiência e investimentos soa frágil diante do histórico recente: antes mesmo da conclusão do processo, problemas já se acumulam e as respostas seguem lentas, burocráticas e reativas, avançando apenas sob pressão popular e institucional.
Em vez de fortalecer o controle público e a obrigação de resultados, observa-se um afastamento da responsabilidade direta pelo serviço, deixando municípios e moradores à mercê de uma empresa cada vez mais orientada pelo lucro.
Conclusão
Hortolândia e Paulínia ilustram faces distintas de um mesmo problema. Se o Estado aposta na privatização como solução mágica, a realidade indica que, sem compromisso real com a população, há o risco de transformar o esgoto mal tratado em símbolo de uma política que prioriza investidores e coloca o povo em segundo plano.
Fonte: Da redação




