sexta-feira, 27 fevereiro, 2026
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Região de Campinas colhe benefícios econômicos e culturais do Carnaval — mas é preciso medir custos e transparência

O Carnaval de 2026 mostrou que, na Região Metropolitana de Campinas, a festa popular segue funcionando como motor econômico e elemento de identidade cultural — mas exige avaliação transparente de custos e metodologias.

Impacto econômico e social

Em Campinas, levantamento da Associação Comercial e Industrial de Campinas (ACIC) estimou movimentação de R$ 16,9 milhões durante o período, alta de 5,6% em relação a 2025. Bares e restaurantes responderam por R$ 5,7 milhões desse total. Esses montantes se traduzem em renda extra para trabalhadores e microempreendedores, maior arrecadação de tributos e giro na cadeia de serviços que atende eventos — fornecedores, som, costureiras e produtores culturais.

Em Santa Bárbara d’Oeste, a Prefeitura contabilizou um público rotativo de 117,6 mil pessoas ao longo de quatro dias, com destaque para o Bloco das Bárbaras — cerca de 35 mil foliões na Avenida Monte Castelo. A organização, segundo a administração, incluiu controle de acesso, apoio da Polícia Militar e da Guarda Municipal e regulamentação por decreto.

A Nova Odessa apostou em programação infantil e familiar: o Folia Kids reuniu aproximadamente 5 mil participantes no Parque Municipal das Crianças. O formato evidencia que o Carnaval pode diversificar públicos e distribuir benefícios econômicos para segmentos distintos.

Limites da leitura apenas pelos números

O argumento central é claro: a realização da festa gera emprego temporário, renda extra, recolhimento de tributos e dinamização de cadeias produtivas locais. No entanto, essa leitura precisa ser equilibrada. Receitas e públicos devem ser confrontados com informações sobre como as medidas foram obtidas — que períodos foram considerados, que métodos de contagem foram aplicados e que custos públicos foram necessários para infraestrutura, segurança e limpeza.

Sem esse balanço, a avaliação do retorno social e econômico fica incompleta. É preciso saber não apenas quanto entrou, mas quanto foi investido em serviços públicos para viabilizar o evento.

Recomendações para gestores e organizadores

Das práticas observadas na região surgem três recomendações práticas:

  • Sistematizar a medição: padronizar metodologias de contagem (fluxo, bilheteria, combinações) para permitir comparações entre anos e municípios;
  • Mensurar custos públicos: registrar separadamente gastos com infraestrutura, segurança e limpeza para calcular retorno sobre investimento;
  • Diversificar ofertas: manter formatos variados (blocos, bailes, programação infantil) para ampliar o público e distribuir os benefícios econômicos.

“A matemática mostrada pelo Carnaval 2026 na região é objetiva — quem abraçou a festa colheu resultado econômico e cultural.”

Da redação

Conclusão

Celebrar os números de receita é importante, mas insuficiente. Confrontá-los com custos públicos e critérios metodológicos claros enriquece o debate e permite decisões públicas mais prudentes. O caminho mais sensato é combinar promoção cultural com transparência e avaliação, garantindo que o Carnaval continue sendo patrimônio democrático e também uma política pública eficiente.

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