Falar sobre a morte do cão Orelha, vítima de agressões na Praia Brava, em Florianópolis, é doloroso — e esse desconforto mostra que não é um fato qualquer.
O caso
Orelha não era um cachorro simplesmente “solto”. Ele era conhecido e cuidado diariamente pela comunidade: era alimentado, acompanhado e acolhido; turistas tiravam fotos com ele e ele fazia parte daquele lugar.
Mesmo que fosse um animal em situação de rua, isso não altera o essencial: ninguém tem o direito de tirar a vida de um ser vivo. Rir de um animal que está morrendo não é “brincadeira”. É crueldade.
Os vídeos e o sinal de alerta
Os vídeos relacionados às agressões são estarrecedores. Eles evidenciam algo que ultrapassa a falta de empatia: expõem um tipo de violência que não deve ser ignorada, minimizada ou esquecida.
Muitos estudos e relatos de especialistas indicam que comportamentos agressivos persistentes, em adultos violentos, frequentemente começam na infância e adolescência com ataques a animais. Ou seja: não é apenas um ato isolado — é um sinal sobre a formação emocional e social de quem pratica a violência.
Crueldade é escolha.
O silêncio também é violência
Outro ponto preocupante é a reação social posterior: quem denuncia costuma ser atacado, quem expõe a verdade é silenciado, quem expressa indignação é julgado. Essa resposta é exatamente o oposto do que precisamos.
Se o caso não tivesse ganhado repercussão é provável que teria sido engolido pelo cotidiano e se tornado mais uma crueldade invisível — e o invisível se repete.
Saúde mental e responsabilidade
Falar sobre saúde mental é essencial, mas não pode ser usado para romantizar ou minimizar a violência. Quando um ser é violentado por diversão, isso deixa de ser apenas um “desequilíbrio emocional” e revela falta de humanidade, consciência e responsabilidade social.
Saúde mental é cuidadar, ter empatia e controle emocional. A crueldade deliberada é uma escolha e não pode ser naturalizada.
Consequências e lembrança
Depois que o caso veio à tona, houve tentativas de apagar rastros e esconder rostos. É impossível não ver o contraste entre o medo que hoje ronda os autores e o medo que Orelha viveu sem chance de escolha.
Infelizmente, Orelha precisou ser sacrificado: as feridas eram graves demais e não havia reversão. Não foram apenas feridas no corpo — foram feridas emocionais que revelam a profundidade da violência sofrida.
Para que isso não se repita
O caso de Orelha precisa ser um marco, não só uma tragédia. Quando uma sociedade normaliza a violência contra animais, abre espaço para violências maiores. A crueldade contra o indefeso é a porta de entrada da indiferença — e a indiferença adoece uma comunidade inteira.
Orelha não tinha voz, mas nós temos. Que sua história não seja esquecida, que a justiça não seja seletiva e que nunca mais alguém ache que pode tirar a vida de um ser por diversão.

Fonte: Marlete Plauth – Terapeuta integrativa




