A Câmara de Monte Mor rejeitou a Denúncia 8/2025, que pedia a cassação do vereador Clair Gomes (PSB) por suposto nepotismo, durante sessão realizada nesta segunda-feira (24). O pedido foi recusado por 12 votos, com uma abstenção, e não houve abertura de investigação preliminar. A peça acusava Clair de ter contratado a própria nora, Ingrid Luiza Cunha dos Santos, enquanto ela também teria sido aprovada em processo seletivo da prefeitura.
Detalhes da denúncia
A representação descrevia possível benefício familiar decorrente de posição pública e pedia, além da cassação, a devolução dos salários percebidos pela assessora. Segundo a Câmara, os elementos apresentados não foram considerados suficientes sequer para instaurar apuração preliminar ou sindicância.
O caso apontava duas hipóteses: contratação direta no gabinete e aprovação em seleção municipal no mesmo período, o que, na avaliação dos autores da denúncia, poderia configurar conflito de interesse e favorecimento.
Decisão e reações
Na sessão, líderes partidários orientaram votos contrários e colegas defenderam o parlamentar, classificando a iniciativa como ação política ou sem embasamento. O presidente da Casa, Beto Carvalho (PP), chegou a sugerir que os denunciantes estariam usando o instrumento para barganhar cargos na prefeitura.
Críticos afirmam que esses argumentos reforçam a percepção de que a Câmara privilegia a proteção interna e confunde disputas políticas com interesse público, o que comprometeria a função fiscalizadora do Legislativo municipal.
Padrão de arquivamentos
O episódio repetiu decisão tomada menos de uma semana antes, quando o Legislativo também arquivou, por ampla maioria, uma representação contra a vereadora Andrea Garcia (PSD) que apontava improbidade e violação de decoro, apesar de referências a decisão do Tribunal de Justiça e multa civil mencionadas na peça inicial.
Ao longo de 2025, todas as denúncias apresentadas contra vereadores foram recusadas antes de qualquer análise de mérito — sem sindicância, comissão especial de inquérito (CEI) ou parecer aprofundado —, segundo observadores que acompanham os processos.
Para quem acompanha o município, o padrão está claro: a população apresenta denúncias, os vereadores as rejeitam sumariamente e as investigações não avançam, alimentando a sensação de blindagem do parlamento municipal.




