sexta-feira, 30 janeiro, 2026
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Geração sanduíche: como sobreviver e pedir ajuda quando se cuida de pais e filhos ao mesmo tempo

A chamada “geração sanduíche” reúne adultos que cuidam simultaneamente de pais idosos e de filhos — uma demanda que recai com mais intensidade sobre mulheres e avós e que combina sobrecarga física, emocional e social.

Por que é urgente falar sobre isso

Além do custo emocional para quem cuida, a condição costuma prejudicar a saúde mental, o rendimento no trabalho e as relações sociais. Reconhecimento público e políticas de apoio evitam que o cuidado se transforme em exclusão ou adoecimento para quem presta assistência.

Desafios mais comuns

  • Sobrecarga física e emocional: tarefas domésticas, cuidados médicos e vigilância constante levam ao cansaço extremo.
  • Impacto na saúde mental: ansiedade, depressão, culpa e sentimento de isolamento.
  • Dificuldades profissionais: jornadas longas, falta de flexibilidade e risco de perda de renda ou oportunidade de carreira.
  • Isolamento social: menos tempo para redes de apoio, lazer ou autocuidado.

Perfis exemplares

Os perfis abaixo são exemplos compostos para ilustrar experiências frequentes; preservam privacidade e diversidade familiar.

  • Maria, 48 anos: professora que cuida da mãe com Alzheimer e de um filho adolescente. Relata sono irregular e dificuldade para cumprir prazos no trabalho.
  • Joana, 61 anos: avó que exerce o papel de cuidadora dos netos enquanto a filha trabalha; sente-se fisicamente exausta e com poucas saídas para descansar.

Estratégias acionáveis — um guia prático

Apoio profissional

  • Procure avaliação multiprofissional (médico, psicólogo, assistente social, fisioterapeuta) para criar um plano de cuidado e repartir tarefas.
  • Considere grupos de apoio ou terapia familiar para reduzir culpa e compartilhar estratégias.

Estabelecer limites claros

  • Defina horários destinados ao cuidado e horários inegociáveis de descanso; comunicar limites à família reduz expectativas irreais.
  • Use acordos escritos quando possível (por exemplo, divisão de turnos entre parentes) para evitar sobrecarga concentrada em uma pessoa.

Delegação e organização prática

  • Mapeie tarefas (medicamentos, consultas, transporte, alimentação, higiene) e liste o que pode ser delegado e para quem.
  • Use ferramentas simples: planilhas compartilhadas, grupos de mensagens e calendários digitais para coordenar a família.

Autocuidado e gestão da saúde mental

  • Trate pausas regulares, sono e refeições adequadas como prioridades de saúde, não luxos.
  • Encontre atividades breves que gerem alívio (por exemplo, uma caminhada curta ou uma chamada de 15 minutos com um amigo).
  • Se houver sinais de depressão ou esgotamento, busque suporte profissional o quanto antes.

No trabalho: negociar condições

  • Converse com o empregador sobre flexibilização de horário, trabalho remoto parcial ou licenças para tratamentos emergenciais.
  • Utilize, quando houver, programas de assistência ao empregado ou serviços oferecidos pela empresa.

Rede de apoio e tecnologia como aliadas

  • Faça um inventário da rede (familiares, amigos, vizinhos, voluntários) e divida tarefas para diminuir a carga individual.
  • Use serviços locais (transporte adaptado, entrega de medicamentos) e tecnologias (alertas de medicação, teleconsultas) para reduzir deslocamentos.

Como encontrar ajuda prática hoje

  • Procure a rede de saúde e assistência social do seu município: unidades básicas de saúde, centros de convivência e serviços de assistência social podem orientar sobre recursos locais.
  • Busque grupos de apoio presenciais ou online de cuidadores — trocar experiências é uma forma concreta de suporte.
  • Verifique disponibilidade de serviços privados (cuidadores profissionais, cuidados de dia, fisioterapia domiciliar) quando a família não puder cobrir todas as necessidades.

Políticas públicas necessárias

  • Reconhecimento formal do papel de cuidador informal e criação de programas de apoio financeiro e de descanso (respite care).
  • Ampliação de serviços públicos de atenção domiciliar e redes de cuidado de longa duração.
  • Políticas de trabalho que garantam flexibilidade, licenças e proteção ao emprego para cuidadores.
  • Investimento em saúde mental com acesso facilitado a atendimento psicológico para familiares cuidadores.

Lacunas e próximos passos para pesquisa

O diagnóstico aqui é qualitativo e carece de dados quantitativos que mostrem extensão e distribuição por faixa etária, renda e região. Recomenda-se incorporar estudos e estatísticas nacionais e regionais para embasar propostas de política pública.

“Muitos adultos ‘ensanduichados’ também são avós, com mulheres sendo as mais afetadas.”

Simone Wajnman (UFMG)

Cuidar simultaneamente de pais e filhos é uma tarefa profundamente humana, mas que não deve recair sozinha sobre indivíduos — especialmente mulheres e avós. Reconhecer a realidade, organizar responsabilidades e buscar apoio são passos concretos para proteger quem cuida e melhorar a qualidade do cuidado.

Fonte: Divulgação

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