sexta-feira, 13 fevereiro, 2026
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Freire tensiona Cidadania e empurra partido para órbita bolsonarista

O Cidadania vive uma grave crise interna desde a mudança de nome, depois que o ex-deputado Roberto Freire reassumiu liminarmente a presidência nacional, movimento que ameaça a federação com o PSB e pode aproximar o partido do Republicanos.

Freire voltou ao comando após obter decisão liminar ao contestar a licença que havia concedido à presidência entre 2023 e 2025, alegando falha técnica em registro cartorial. O mérito da ação ainda não foi julgado.

Dirigentes apontam que o problema é político: segundo relatos internos, 69 dos 101 membros do diretório nacional defendiam a federação com o PSB, mantendo o Cidadania no campo progressista e alinhado ao bloco que sustenta o governo Lula. A estratégia articulada por Freire, na direção oposta, visa uma aproximação com o Republicanos, sigla ligada ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.

Em uma reunião realizada por determinação judicial nesta semana, o clima foi de confronto. Dirigentes afirmam que houve restrição de falas e que propostas para antecipar eleição interna foram barradas. A principal reivindicação da maioria é a realização do Congresso Nacional previsto para março, quando delegados deverão eleger nova direção partidária.

Para quadros históricos do partido, federar‑se ao Republicanos — que integra a base conservadora no Congresso e mantém vínculos com o bolsonarismo — representaria uma inflexão ideológica abrupta. A legenda, nascida em 1922 como Partido Comunista Brasileiro e transformada em Cidadania em 2019, consolidou‑se como força de centro‑esquerda com viés reformista.

Roberto Freire, que liderou boa parte dessa trajetória por três décadas, agora enfrenta resistência interna crescente. Lideranças estaduais dizem que a tentativa de alterar o rumo político do partido ocorre à revelia da maioria dos delegados e pode provocar fissuras irreversíveis.

No plano estadual, o diretório de Minas Gerais já realizou congresso próprio com eleição registrada na Justiça Eleitoral, o que lhe confere autonomia formal. A direção mineira sinaliza que não aceitará intervenção externa e estuda protagonismo próprio nas eleições estaduais.

O embate expõe uma crise de identidade: permanecer no campo democrático‑progressista ou aderir pragmaticamente a uma aliança com forças conservadoras? Formalmente, a decisão caberá ao Congresso Nacional do partido; até lá, a tensão tende a se intensificar.

Ao recorrer à via judicial para reassumir o controle e ao agir para bloquear uma federação apoiada pela maioria do diretório, Freire aposta na força institucional para sustentar sua estratégia. Resta saber se conseguirá também manter a base política, ou se sairá desse processo comandando um partido menor do que aquele que ajudou a construir.

Fonte: Da redação.

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