O vereador André Faganello reuniu as assinaturas necessárias para pedir a abertura de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) na Câmara de Nova Odessa para investigar o caso conhecido como “escândalo do concreto invisível”.
O requerimento protocolado também conta com as assinaturas dos vereadores Lico Rodrigues, Marcelo Maito, Paulinho Bichof, Paulo Porto e Priscila Peterlevitz, número suficiente para dar início ao processo de instalação da comissão, conforme previsto no regimento interno da Casa.
A CEI terá como foco contratos ligados ao Pregão Presencial 03/2023, que trata do registro de preços para construção de calçadas em áreas públicas. Entre os pontos a serem apurados estão suspeitas de superfaturamento, pagamento por obras não executadas, distorções em medições e possíveis favorecimentos na liberação de recursos.
A iniciativa é consequência da sequência de reportagens e materiais divulgados por Faganello nas últimas semanas. Nos vídeos publicados, o vereador apresentou dados que indicariam discrepâncias entre o volume de concreto pago e o efetivamente utilizado em diversas obras da cidade.
No caso mais emblemático, no bairro Marajoara, os números apresentados apontam para um pagamento superior a R$ 420 mil por uma obra cuja execução real, segundo documentos citados pelo parlamentar, não passaria de R$ 86 mil.
Em outros pontos da cidade, como na região da UBS 5 e em áreas próximas ao hospital, as diferenças também chamam atenção, com relatos de centenas de metros cúbicos de concreto pagos e volumes significativamente menores identificados em vistorias.
Somadas, as suspeitas levantadas pelo vereador indicam um possível rombo que ultrapassa R$ 4,4 milhões em contratos de calçamento, valor que agora passa a ser alvo da investigação legislativa.
Uma vez instalada, a CEI terá poderes para convocar testemunhas, requisitar documentos, analisar contratos e confrontar medições técnicas. Na prática, será o instrumento da Câmara para apurar se houve irregularidades, falhas administrativas ou algo mais grave na execução dessas obras.
A abertura da investigação formal pelo Legislativo aumenta a pressão sobre a administração municipal, que já informou anteriormente ter realizado sindicâncias internas e encaminhado informações aos órgãos competentes.
O caso do “concreto invisível”, que começou como uma série de vídeos nas redes sociais, agora se transforma em investigação oficial.
A pergunta que move a CEI é simples e direta: o dinheiro público foi aplicado corretamente ou parte dele simplesmente desapareceu no caminho?




