A crise no transporte intermunicipal voltou ao plenário da Câmara de Sumaré nesta semana, com uma indicação que pede providências imediatas à Artesp e ao Governo do Estado.
O que está ocorrendo
Durante a fase do Expediente, a Indicação nº 1.756, apresentada pelo vereador Wellington Souza, solicitou ações diante dos problemas recorrentes nas linhas que ligam o município a Campinas, Americana, Nova Odessa e Hortolândia, na Região Metropolitana de Campinas (RMC).
Os relatos são conhecidos da população e incluem:
- superlotação;
- atrasos frequentes;
- redução de frota aos fins de semana;
- intervalos longos entre ônibus;
- falhas mecânicas constantes.
A cobrança por fiscalização mais rigorosa das concessionárias é legítima, mas não resolve o problema estrutural que impede a melhora efetiva do serviço.
O Corredor Metropolitano e o impasse em Sumaré
O Corredor Metropolitano Vereador Biléo Soares foi concebido para integrar Campinas, Hortolândia, Sumaré, Nova Odessa, Americana e Santa Bárbara d’Oeste, com faixas exclusivas, terminais modernos e maior previsibilidade operacional. Em praticamente todos os demais municípios, os trechos foram entregues ao longo dos últimos anos, com estações, terminais e ligações viárias em funcionamento.
Hortolândia e Campinas tiveram o trecho complementar concluído em 2021. Nova Odessa, Americana e Santa Bárbara d’Oeste finalizaram terminais metropolitanos e intervenções estruturais entre 2015 e 2018. A integração regional avançou — exceto na variante Sumaré–Hortolândia, um trecho de 7,6 quilômetros que permanece em fase de projeto há mais de uma década.
O impasse local travou o eixo central do corredor. Entre os fatores apontados ao longo dos anos estão:
- entraves técnicos;
- falhas de planejamento;
- resistência de grupos econômicos locais, especialmente na região da Avenida Rebouças, por receio de impactos sobre vagas de estacionamento e dinâmica comercial.
A influência desses interesses acabou sobrepondo-se à necessidade coletiva de mobilidade, e a decisão política local não foi enfrentada com a firmeza necessária.
Consequências e soluções
O resultado é paradoxal: enquanto vereadores cobram da Artesp melhorias emergenciais nas linhas intermunicipais, a infraestrutura capaz de reduzir superlotação, garantir regularidade e aumentar a oferta de ônibus permanece bloqueada por uma decisão política não resolvida.
Sem o trecho sumareense, o corredor perde eficiência operacional e deixa de cumprir sua função estratégica de reorganizar o transporte metropolitano. A consequência recai diretamente sobre mais de 200 mil moradores da cidade, que continuam dependentes de um sistema pressionado, irregular e insuficiente.
Cobrar a agência reguladora é parte da solução imediata. Concluir o corredor é a solução estrutural. Enquanto essa equação não for enfrentada com prioridade e transparência, a crise no transporte intermunicipal seguirá sendo debatida em plenário e vivida diariamente nos pontos de ônibus.




