A “geração sanduíche” é um fenômeno crescente no Brasil, onde adultos, principalmente mulheres, enfrentam o desafio de cuidar de seus pais idosos e de seus filhos ao mesmo tempo. Este artigo explora as dificuldades enfrentadas por esses cuidadores e apresenta estratégias para lidar com a sobrecarga emocional e física.
A “geração sanduíche” refere-se aos adultos que, simultaneamente, assumem a responsabilidade de cuidar de seus pais idosos e de seus filhos. No Brasil, essa situação afeta predominantemente mulheres, que enfrentam desafios significativos ao equilibrar essas múltiplas demandas.
Os homens e mulheres nessa posição frequentemente lidam com uma série de dificuldades. A sobrecarga física e emocional é uma das principais preocupações, pois atender às demandas de duas gerações pode levar ao esgotamento. Muitas pessoas relatam sentimentos de culpa, preocupação constante e exaustão.
Outro aspecto importante é o impacto na saúde mental. A pressão contínua para atender a essas responsabilidades pode resultar em estresse elevado, ansiedade e depressão, especialmente quando não há uma rede de apoio adequada. Além disso, os desafios profissionais se tornam uma tarefa árdua, pois conciliar responsabilidades familiares com a carreira pode levar à redução da jornada de trabalho ou até ao abandono do emprego.
O isolamento social é um efeito colateral dessa situação. A dedicação intensa aos cuidados familiares pode limitar o tempo disponível para atividades sociais e de lazer, resultando em um sentimento de solidão.
A psicóloga e professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Simone Wajnman, destaca que esse fenômeno tem uma camada adicional de complexidade no Brasil. Muitos adultos “ensanduichados” não são apenas mães e pais, mas também avós. Embora cada vez mais brasileiras estejam esperando mais para ter filhos, a idade média em que se tornam mães ainda é uma das menores do mundo. Isso significa que, ao chegarem aos 55 anos, muitas mulheres e homens têm uma alta probabilidade de ter pais vivos e em idade demandante, além de filhos e netos que também requerem cuidados.
Wajnman ressalta que “é com certeza algo que afeta muito mais as mulheres” e que “estamos falando de avós que têm muito trabalho com seus netos e ao mesmo tempo têm uma mãe ou pai demandante”.
Para amenizar os desafios da geração sanduíche, algumas estratégias podem ser adotadas. Buscar apoio profissional, como serviços de cuidadores, pode aliviar a carga diária e proporcionar tempo para outras atividades. Estabelecer limites, definindo claramente as responsabilidades e comunicando as necessidades aos demais membros da família, é essencial para evitar a sobrecarga.
Cuidar da saúde mental também é crucial. Participar de grupos de apoio, terapia ou atividades que promovam o bem-estar emocional pode ser benéfico. Além disso, delegar tarefas e compartilhar responsabilidades com outros familiares ou buscar serviços comunitários pode ajudar a distribuir a carga de trabalho.
É fundamental que a sociedade reconheça a importância e os desafios enfrentados por essas famílias. O apoio social pode ser oferecido por meio de políticas públicas que facilitem o acesso a serviços de cuidado, promovam a igualdade de gênero nas responsabilidades familiares e proporcionem recursos para o bem-estar físico e mental.
E você, se identifica com esta situação? Conta pra gente nos comentários do site como você lida com estes desafios diários.