A venda da Desktop para a Claro reposiciona Sumaré no mapa estratégico das telecomunicações no país e marca mais um passo na consolidação do setor de internet por fibra óptica.
Fundada em 1997 no município, a provedora cresceu até se tornar uma das principais operadoras regionais de banda larga e agora passará ao controle de uma das maiores empresas do setor, em uma operação bilionária.
A negociação prevê a aquisição inicial de cerca de 73% das ações da companhia, ao valor aproximado de R$ 20,82 por papel, totalizando cerca de R$ 2,4 bilhões nesta primeira etapa. Considerando o conjunto da operação, a Desktop foi avaliada em torno de R$ 4 bilhões.
A conclusão do negócio ainda depende de aprovação de órgãos reguladores, como o Conselho Administrativo de Defesa Econômica e a Agência Nacional de Telecomunicações.
Com forte presença no interior paulista, a Desktop construiu uma base relevante ao longo dos anos, alcançando cerca de 1,2 milhão de clientes e atuação em aproximadamente 200 cidades. A empresa expandiu sua infraestrutura e chegou a dezenas de milhares de quilômetros de rede, consolidando-se em um mercado que, até recentemente, era dominado por provedores locais.
A aquisição fortalece a posição da Claro no estado de São Paulo, principal mercado do país em banda larga fixa. Atualmente atrás da líder Vivo em número de clientes, a operadora passa a incorporar uma estrutura já consolidada no interior, reduzindo distâncias na disputa por participação de mercado e ampliando sua capilaridade fora dos grandes centros.
Para Sumaré, o negócio tem um peso simbólico relevante. A cidade deixa de ser apenas ponto de operação para se firmar como origem de uma empresa que atingiu escala nacional e despertou interesse de uma gigante do setor.
Ao mesmo tempo, a venda também reflete um cenário mais amplo, em que empresas regionais, mesmo bem-sucedidas, acabam absorvidas por grandes grupos em busca de escala, eficiência e integração de serviços.
Analistas do setor apontam que esse tipo de movimento tende a se intensificar. Após anos de crescimento acelerado no número de assinantes, o mercado de banda larga entrou em ritmo mais lento, pressionando empresas a buscar fusões e aquisições como estratégia para manter competitividade e reduzir custos.
Nesse contexto, a trajetória da Desktop ilustra um ciclo comum no setor: nasce local, cresce regionalmente, ganha musculatura financeira e, por fim, é incorporada por um player nacional ou internacional.
Para o consumidor, o impacto ainda dependerá de como a integração será conduzida, especialmente em relação à qualidade do serviço e à política de preços.
A operação marca, ao mesmo tempo, um ponto de chegada para a empresa criada em Sumaré e um novo capítulo na disputa pelo mercado de internet no interior paulista, cada vez mais concentrado nas mãos de grandes operadoras.
Fonte: Da redação.




