O ex-secretário municipal de Educação de Sumaré, José Apareido Ribeiro Marin, foi preso na quinta-feira, 12 de março de 2026, durante a quarta fase da Operação Coffee Break, conduzida pela Polícia Federal.
Marin é apontado pelos investigadores como um dos principais envolvidos em um esquema que teria fraudado licitações públicas na área da educação em Sumaré, com suspeitas de corrupção, direcionamento de contratos e pagamento de propinas. Ele foi um dos nomes influentes da gestão do ex-prefeito Luiz Dalben, ocupando cargos estratégicos.
A prisão preventiva ocorre no âmbito de uma investigação que apura irregularidades em contratos da Secretaria de Educação entre 2021 e 2025. Segundo a Polícia Federal, os investigados podem responder por crimes como corrupção, fraude em licitações, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro, com penas que podem ultrapassar 60 anos de prisão, dependendo da participação de cada envolvido.
A atual administração municipal destacou que os fatos investigados se referem exclusivamente a contratos firmados em gestões anteriores e não possuem qualquer relação com a atual gestão da Prefeitura ou com a atual equipe da Secretaria de Educação.
Servidor efetivo da Prefeitura desde 2002, Marin ocupou o cargo de secretário de Mobilidade Urbana e Rural entre janeiro de 2017 e junho de 2021. Em seguida, assumiu a Secretaria de Educação, função que exerceu entre junho de 2021 e julho de 2024. Nos últimos meses da administração anterior, ainda ocupou função na Secretaria de Governo, entre novembro e dezembro de 2024.
De acordo com as investigações da Polícia Federal, o esquema teria sido estruturado a partir de contratos firmados com a empresa Life Tecnologia Educacional, que fornecia produtos e soluções educacionais para municípios. Os investigadores apontam que Marin teria atuado como parceiro direto do empresário André Mariano, proprietário da empresa.
A suspeita é de que licitações públicas eram estruturadas para favorecer diretamente a companhia. Segundo a apuração, os editais seriam elaborados com especificações técnicas que apenas os produtos da empresa conseguiriam atender, eliminando a concorrência. Após vencer os processos licitatórios, a empresa forneceria os produtos para as prefeituras com valores significativamente acima do custo real.
A Polícia Federal identificou indícios de sobrepreço que, em alguns casos, poderia chegar a até 35 vezes o valor de aquisição dos produtos comercializados. Parte do dinheiro teria sido direcionada para empresas de fachada e operadores financeiros clandestinos, conhecidos como doleiros, para ocultar a origem dos recursos e viabilizar o pagamento de propinas a agentes públicos.
Nas comunicações interceptadas, os suspeitos utilizariam a palavra ‘café’ como código para se referir aos pagamentos ilícitos, o que deu nome à Operação Coffee Break. A investigação também identificou movimentações financeiras consideradas incompatíveis com as operações comerciais declaradas.
Segundo os dados levantados, a empresa investigada teria recebido aproximadamente R$128 milhões de contratos com administrações públicas, distribuídos em mais de 300 transferências bancárias, muitas com origem em prefeituras municipais, reforçando a suspeita de que o esquema se apoiava em contratos públicos.
A prisão do ex-secretário provoca repercussão política na cidade. Marin foi considerado, durante anos, um dos homens de confiança do ex-prefeito Luiz Dalben. Com a prisão desta quinta-feira, a investigação entra em uma nova etapa, com a Polícia Federal aprofundando a análise de documentos, movimentações financeiras e possíveis ramificações do esquema em diferentes municípios.




