No mês dedicado às mulheres, o texto chama atenção para a urgência de enfrentar a violência de gênero, que continua ceifando vidas e violando direitos básicos no Brasil e na região.
A dimensão do problema
Os números mais recentes expõem a gravidade: segundo o Pacto Nacional de Combate ao Feminicídio, o Brasil registrou 1.470 feminicídios no ano passado, uma média de cerca de quatro mulheres mortas por dia. Além disso, estatísticas nacionais apontam que, diariamente, 10 mulheres são vítimas de estupro.
Esses dados não são abstrações: representam vidas perdidas, famílias destruídas e uma crise que exige resposta imediata e sustentada.
Contexto regional
Na região, a situação espelha a gravidade nacional. Em Hortolândia foram registrados 4 casos de feminicídio no último ano, mesmo com políticas públicas em curso e atuação das forças de segurança. Em Sumaré, as notificações de violência doméstica e familiar contra mulheres permanecem elevadas, apontando para a necessidade de manutenção e ampliação das redes de proteção e atendimento integral.
Formas e raízes da violência
A violência contra a mulher assume múltiplas faces — física, psicológica, patrimonial e sexual — e atravessa classes sociais, raças, identidades de gênero e idades. Trata‑se de um problema estrutural, enraizado em desigualdades sociais e culturais, reproduzido por normas e práticas discriminatórias.
Além dos atos diretos de agressão, há uma dimensão simbólica: discursos misóginos e narrativas que naturalizam a posse e a subjugação feminina contribuem para um ambiente em que a violência é tolerada ou minimizada.
O papel das redes sociais e da cultura
Nas redes sociais, uma onda anti‑feminista ampliada por personalidades com grande alcance tem difundido mensagens de superioridade masculina e depreciação feminina. Essas ideias, muitas vezes veiculadas com linguagem simples e apelo emocional, moldam atitudes e corroem o senso de equidade entre jovens e adultos.
Combatê‑las exige mais do que reprovação pontual: requer educação para o pensamento crítico, fortalecimento da autoestima das mulheres e atuação comunitária clara contra a normalização da misoginia.
O que precisa ser feito
O enfrentamento deve ser amplo, contínuo e coletivo. Entre as medidas prioritárias estão:
- Educação desde a infância sobre respeito, consentimento, empatia e direitos humanos;
- Fortalecimento das redes de proteção, com acolhimento especializado, segurança e assistência integral às vítimas;
- Aprimoramento de políticas públicas que garantam atendimento jurídico, psicológico e social de forma acessível;
- Promoção da participação masculina no enfrentamento à violência de gênero, responsabilizando agressores sem tolerância à impunidade;
- Desconstrução de narrativas misóginas nas mídias e nas redes sociais, com campanhas de conscientização e regulação apropriada de conteúdo abusivo.
Não basta reação: é necessária prevenção estruturada que mude padrões culturais e ofereça suporte contínuo às mulheres em risco.
Convocação à ação
Lutar contra a violência não é cuidar apenas de estatísticas; é proteger vidas e garantir dignidade. Cada cidadão, independentemente do gênero, tem papel a desempenhar na construção de uma sociedade em que respeito e igualdade prevaleçam.
Não há neutralidade diante do abuso: ou se está ao lado da proteção e da justiça, ou se contribui para a cultura que naturaliza a violência. A resposta precisa ser implacável, coletiva e contínua.
Todos unidos contra o feminicídio e a violência doméstica: essa é uma exigência moral e uma urgência social.
Fonte: Da redação.




