Os 49 anos da Coden Ambiental, completados em 25 de fevereiro de 2026, colocam em xeque a ideia de que somente a iniciativa privada seria capaz de gerir com eficiência o saneamento básico.
Gestão pública: o caso Nova Odessa
A autarquia municipal de Nova Odessa garante abastecimento de água tratada a 100% da população e coleta de esgoto praticamente universalizada, com 100% do volume coletado efetivamente tratado.
São processados cerca de 16 milhões de litros de água por dia, que atendem aproximadamente 28 mil ligações. A avaliação popular, segundo a ARES-PCJ, alcança nota 9,4.
Avaliação popular atinge nota 9,4.
Um investimento recente superior a R$ 15 milhões ampliou a reserva de água bruta para 2,6 milhões de metros cúbicos, e a Estação de Tratamento de Esgoto Quilombo tornou-se referência nas Bacias PCJ.
A projeção da Represa Recanto 4 demonstra planejamento de longo prazo e reforça a segurança hídrica diante da expansão urbana e industrial da região.
Privatização: promessas e riscos
Em contraste, em Sumaré o antigo DAE foi privatizado e passou ao controle da BRK Ambiental durante a gestão da então prefeita Cristina Carrara. A promessa incluía eficiência, modernização e melhores serviços.
Na prática, segundo queixas recorrentes da população, o processo trouxe tarifas elevadas, instabilidade no abastecimento e perda de margem de manobra do município sobre decisões estratégicas.
Quando a gestão deixa de responder prioritariamente ao interesse público e passa a atender metas de acionistas, a lógica muda: contratos passam a substituir autonomia administrativa e ficam vigentes cláusulas difíceis de revisar, reduzindo a capacidade de resposta local.
O debate ganhou escala estadual com a privatização da Sabesp promovida pelo governo de Tarcísio de Freitas. Defendida como caminho para ampliar investimentos e acelerar a universalização, a medida enfrenta críticas técnicas e políticas — entre elas o risco de aumento tarifário, a priorização de áreas mais rentáveis e a redução do controle público sobre um serviço essencial.
Conclusão
O aniversário da Coden recoloca a discussão em termos concretos: Nova Odessa mantém gestão pública, investe, planeja e entrega indicadores robustos. Não se trata de retórica ideológica, mas de desempenho mensurável.
No setor de saneamento, onde o direito à água e ao esgotamento sanitário impacta diretamente a dignidade humana, a experiência de Nova Odessa funciona como contraponto: eficiência não depende necessariamente da privatização, mas de gestão técnica, planejamento e compromisso com o interesse coletivo.
Fonte: Da redação.




