Nova Odessa encerrou 2025 com 1.979 novas empresas abertas, crescimento de 12,6% em relação ao ano anterior, segundo dados consolidados pela Receita Federal e repercutidos pelo Observatório Econômico do município.
O resultado reforça a imagem de uma cidade em expansão e com ambiente favorável aos negócios. O setor de serviços concentrou 67,2% das novas aberturas, seguido por comércio, indústria e construção civil, enquanto a agropecuária teve participação residual.
Em termos de porte, 65,1% das novas empresas são Microempreendedores Individuais (MEIs), totalizando 1.289 registros.
A leitura oficial destaca que pequenos negócios impulsionam a economia local, promovem geração de renda e formalizam trabalhadores. Contudo, especialistas alertam que o crescimento de CNPJs nem sempre indica expansão orgânica do empreendedorismo: parte do movimento pode estar associada à pejotização da força de trabalho.
Profissionais têm sido estimulados ou pressionados a abrir MEI para prestar serviços como ‘empresa’, embora na prática mantenham relação típica de emprego. Entre os grupos afetados estão:
- entregadores;
- vendedores;
- prestadores de serviço;
- profissionais da logística;
- trabalhadores da área administrativa;
- segmentos tradicionalmente regidos pela CLT.
Segundo o texto, essa dinâmica reduz encargos para contratantes e transfere riscos e fragilidades ao trabalhador. A pejotização inflaciona estatísticas: melhora indicadores formais de abertura de empresas, mas não necessariamente amplia a base produtiva real ou fortalece cadeias econômicas estruturadas.
Muitas vezes a mudança é apenas formal — altera a forma jurídica de uma relação de trabalho já existente, mascarando vínculos empregatícios sob o rótulo de prestação de serviço.
O texto ressalta que empreendedorismo genuíno é positivo e merece estímulo, mas que crescimento econômico sustentável envolve geração de emprego formal, estabilidade, proteção social e aumento real de produtividade. Quando a formalização via MEI ocorre por necessidade e não por vocação empreendedora, o fenômeno revela adaptação a um mercado de trabalho cada vez mais flexível — para alguns, excessivamente flexível.
“Os dados refletem políticas públicas voltadas ao desenvolvimento econômico, mas sua interpretação exige maturidade e vigilância por parte da sociedade e da imprensa.”
A reportagem conclui que os números são positivos, mas que a leitura exige cuidado para distinguir entre expansão real do empreendedorismo e mudanças formais nas relações de trabalho.
Fonte: Da redação.




