O Carnaval funciona como um espelho: concentra dias de excesso e, no silêncio pós-folia, evidencia padrões emocionais que vinham sendo vividos de forma descontínua ao longo do ano.
O vácuo pós-Carnaval não é só cansaço físico. Quando os estímulos diminuem, sentimentos adiados — frustração, insatisfação, ansiedade — voltam à superfície. Para a especialista Daniela Suniga, “a festa não cria o vazio. Ela apenas evidencia algo que já vinha sendo vivido de forma silenciosa.”
“A festa não cria o vazio. Ela apenas evidencia algo que já vinha sendo vivido de forma silenciosa.”
Daniela propõe uma estrutura prática em 5 camadas para entender por que o excesso não sustenta bem‑estar e como cultivar presença ao longo do ano.
1) Consciência
O que é: perceber o próprio estado interno antes que ele vire sintoma.
Exemplo cotidiano: notar que checar redes sociais virou resposta automática ao tédio.
Dica prática: reserve 3 minutos ao acordar para uma checagem interna — ouvir o corpo, nomear uma emoção; registre num post‑it ou nota no celular.
2) Verdade emocional
O que é: nomear o que se sente sem performar ou minimizar.
Exemplo: admitir que está cansado em vez de dizer que “está tudo bem” para manter a imagem.
Dica prática: crie o hábito de nomear uma emoção ao final do dia (ansioso, triste, aliviado). Escrever uma linha já ajuda a tirar a emoção do modo automático. Como lembra Daniela, “Aquilo que não é reconhecido vira sintoma.”
“Aquilo que não é reconhecido vira sintoma.”
3) Limites
O que é: saber dizer não e reduzir excessos antes do esgotamento.
Exemplo: recusar convites repetidos quando a agenda emocional está apertada.
Dica prática: combine consigo mesmo um limite simples (ex.: máximo de 2 compromissos sociais por fim de semana) e comunique com clareza. “Liberdade sem limite vira desgaste. Limite é o que permite continuidade.”
“Liberdade sem limite vira desgaste. Limite é o que permite continuidade.”
4) Responsabilidade afetiva
O que é: assumir o cuidado com sua vida emocional sem terceirizar a própria regulação a outras pessoas ou estímulos.
Exemplo: parar de esperar que viagens, festas ou curtidas preencham uma sensação de vazio.
Dica prática: escolha uma ação concreta semanal (andar sozinho por 20 minutos, telefonar para um amigo, marcar um hobby) que alimente você de dentro para fora. “Não é sobre culpa, é sobre escolha.”
5) Presença
O que é: estar inteiro no que se vive, com atenção qualificada, sem precisar de excesso para sentir.
Exemplo: aproveitar uma conversa sem checar notificações a cada três minutos.
Dica prática: experimente micro‑presenças — 5 minutos de respiração consciente antes de uma refeição, desligar notificações por uma hora ou ouvir uma música sem multitarefa. “A presença devolve profundidade à experiência. Sem ela, tudo cansa rápido.”
“A presença devolve profundidade à experiência. Sem ela, tudo cansa rápido.”
Repensar a relação com a liberdade não significa abrir mão dela; significa amadurecê‑la para que seja sustentável. O convite do pós‑Carnaval é simples e potente: usar o início simbólico do ano para instalar pequenos hábitos que mantêm presença e limites, evitando que a alegria dependa apenas do excesso.
Fonte: Gracioli Comunicação
Sobre a especialista
Daniela Suniga é terapeuta, mentora, treinadora de mentes e autora, com mais de 20 anos de atuação no cuidado emocional de adultos, crianças e adolescentes.




