sexta-feira, 20 fevereiro, 2026
Formatar Data em JavaScript

Como sobreviver à ressaca emocional e carregar a presença ao longo do ano

O Carnaval funciona como um espelho: concentra dias de excesso e, no silêncio pós-folia, evidencia padrões emocionais que vinham sendo vividos de forma descontínua ao longo do ano.

O vácuo pós-Carnaval não é só cansaço físico. Quando os estímulos diminuem, sentimentos adiados — frustração, insatisfação, ansiedade — voltam à superfície. Para a especialista Daniela Suniga, “a festa não cria o vazio. Ela apenas evidencia algo que já vinha sendo vivido de forma silenciosa.”

“A festa não cria o vazio. Ela apenas evidencia algo que já vinha sendo vivido de forma silenciosa.”

Daniela Suniga, terapeuta e autora

Daniela propõe uma estrutura prática em 5 camadas para entender por que o excesso não sustenta bem‑estar e como cultivar presença ao longo do ano.

1) Consciência

O que é: perceber o próprio estado interno antes que ele vire sintoma.

Exemplo cotidiano: notar que checar redes sociais virou resposta automática ao tédio.

Dica prática: reserve 3 minutos ao acordar para uma checagem interna — ouvir o corpo, nomear uma emoção; registre num post‑it ou nota no celular.

2) Verdade emocional

O que é: nomear o que se sente sem performar ou minimizar.

Exemplo: admitir que está cansado em vez de dizer que “está tudo bem” para manter a imagem.

Dica prática: crie o hábito de nomear uma emoção ao final do dia (ansioso, triste, aliviado). Escrever uma linha já ajuda a tirar a emoção do modo automático. Como lembra Daniela, “Aquilo que não é reconhecido vira sintoma.”

“Aquilo que não é reconhecido vira sintoma.”

Daniela Suniga, terapeuta

3) Limites

O que é: saber dizer não e reduzir excessos antes do esgotamento.

Exemplo: recusar convites repetidos quando a agenda emocional está apertada.

Dica prática: combine consigo mesmo um limite simples (ex.: máximo de 2 compromissos sociais por fim de semana) e comunique com clareza. “Liberdade sem limite vira desgaste. Limite é o que permite continuidade.”

“Liberdade sem limite vira desgaste. Limite é o que permite continuidade.”

Daniela Suniga, terapeuta

4) Responsabilidade afetiva

O que é: assumir o cuidado com sua vida emocional sem terceirizar a própria regulação a outras pessoas ou estímulos.

Exemplo: parar de esperar que viagens, festas ou curtidas preencham uma sensação de vazio.

Dica prática: escolha uma ação concreta semanal (andar sozinho por 20 minutos, telefonar para um amigo, marcar um hobby) que alimente você de dentro para fora. “Não é sobre culpa, é sobre escolha.”

5) Presença

O que é: estar inteiro no que se vive, com atenção qualificada, sem precisar de excesso para sentir.

Exemplo: aproveitar uma conversa sem checar notificações a cada três minutos.

Dica prática: experimente micro‑presenças — 5 minutos de respiração consciente antes de uma refeição, desligar notificações por uma hora ou ouvir uma música sem multitarefa. “A presença devolve profundidade à experiência. Sem ela, tudo cansa rápido.”

“A presença devolve profundidade à experiência. Sem ela, tudo cansa rápido.”

Daniela Suniga, terapeuta

Repensar a relação com a liberdade não significa abrir mão dela; significa amadurecê‑la para que seja sustentável. O convite do pós‑Carnaval é simples e potente: usar o início simbólico do ano para instalar pequenos hábitos que mantêm presença e limites, evitando que a alegria dependa apenas do excesso.

Fonte: Gracioli Comunicação

Sobre a especialista

Daniela Suniga é terapeuta, mentora, treinadora de mentes e autora, com mais de 20 anos de atuação no cuidado emocional de adultos, crianças e adolescentes.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Compartilhar Post

Popular

Descubra mais sobre Jornal Spasso Cidades

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading