sexta-feira, 30 janeiro, 2026
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O peso invisível do cuidado familiar: quando cuidar em casa também cansa quem cuida

Ter um familiar doente sob cuidados em casa tornou-se rotina para muitos, trazendo desgaste emocional e dúvidas que nem sempre aparecem nas consultas médicas.

Visão ampliada no atendimento domiciliar

Segundo a fisioterapeuta Daniele Chaves, diretora da Palliative Care, o atendimento em domicílio permite compreender melhor a dinâmica familiar e identificar sinais que passam despercebidos em consultórios. Isso inclui mudanças de humor, confusão mental e queda de mobilidade, que muitas vezes são percebidas antes que exijam internações.

“Quando a assistência acontece no domicílio, é possível compreender melhor a dinâmica familiar. Quem assume a rotina diária também pode adoecer se não receber orientação e acolhimento.”

Daniele Chaves, fisioterapeuta e diretora da Palliative Care

Tensão nos momentos de decisão

Equipes multiprofissionais relatam que o sofrimento dos cuidadores se intensifica especialmente na hora de decidir sobre limites e escolhas terapêuticas, além de questões relacionadas à finitude. Essas decisões trazem insegurança, culpa e desgaste emocional.

O relato de Maria Regina Ferramola de Salvo ilustra essa sobrecarga. Ao cuidar da mãe, que tinha 95 anos, ela passou a enfrentar dependência crescente e noites com agitação e alucinações, o que prejudicou sono e trabalho.

“Vieram as dificuldades para caminhar, para ir ao banheiro, para se levantar. Percebi que precisava de uma estrutura mais qualificada… Questionei minha privacidade, senti culpa, como se estivesse terceirizando o meu papel de filha.”

Maria Regina Ferramola de Salvo, filha e cuidadora

Paliativos desde o diagnóstico

Daniele ressalta que os cuidados paliativos não se limitam ao fim de vida: eles começam já no diagnóstico e acompanham paciente e família com foco no alívio do sofrimento físico, emocional e espiritual. Além de tratamentos, incluem orientação e suporte ao cuidador.

“Eles começam no diagnóstico e caminham junto com o paciente e a família, oferecendo alívio do sofrimento físico, emocional e até espiritual. Isso inclui orientar, escutar e apoiar quem está todos os dias ao lado do paciente.”

Daniele Chaves, fisioterapeuta e diretora da Palliative Care

Perfil e perenidade das cuidadoras

Famílias destacam a importância de profissionais com perfil adequado e estabilidade emocional. No exemplo do caso fictício de Meire Cunha (83 anos, Alzheimer), a escolha por cuidadoras responsáveis e com perenidade reduziu ausências e trouxe mais segurança ao dia a dia.

“São cuidadoras atentas às demandas e que nunca nos deixaram na mão.”

Silvana, filha de Meire Cunha (caso fictício)

Orientações práticas para quem cuida em casa

  • Entenda que pedir ajuda não é negligência: contratar apoio qualificado permite estar mais presente nos momentos importantes.
  • Informe-se sobre cuidados paliativos desde o diagnóstico: eles oferecem alívio físico, emocional e espiritual e orientam o cuidador.
  • Fique atento a sinais precoces — mudanças de humor, confusão, queda de mobilidade — que o ambiente domiciliar costuma revelar primeiro.
  • Exija supervisão e orientação técnica da equipe: a supervisão profissional reduz inseguranças sobre rotinas e decisões.
  • Priorize perenidade e perfil nas contratações: profissionais estáveis e compatíveis com a família reduzem faltas e desgastes.
  • Cuide da sua saúde: noites sem sono, exaustão e isolamento prejudicam o trabalho e a saúde do cuidador — busque suporte emocional e pausas regulares.

O cuidado domiciliar melhora a qualidade de vida do paciente e permite detecção precoce de problemas, mas também exige olhar e estrutura de suporte para quem cuida. Estruturar apoio técnico e emocional é fundamental para proteger tanto o idoso quanto a família.

Fonte: AMZ Comunicação

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