domingo, 18 janeiro, 2026
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Decisão nos EUA sobre o Banco Master expõe morosidade do sistema brasileiro

A decisão da Justiça dos Estados Unidos de reconhecer a liquidação do Banco Master e bloquear seus ativos expõe uma fragilidade do sistema brasileiro: a incapacidade de agir com rapidez e coragem diante de estruturas financeiras complexas.

A morosidade que protege interesses

Enquanto no exterior os bens foram imediatamente protegidos contra movimentações oportunistas, no Brasil prevalece um modelo de fiscalização lento, fragmentado e excessivamente tolerante com conglomerados bem relacionados.

Investigar “o que pertence ao mesmo grupo” transforma-se em tarefa interminável, cercada de tecnicalidades, recursos sucessivos e convenientes zonas cinzentas. O rito processual, legítimo em um Estado de Direito, costuma virar escudo para a inércia.

Nesse vácuo de atuação, ativos podem ser reorganizados, diluídos ou ocultados enquanto o Estado debate competências e prazos — um resultado que subverte o objetivo de proteger credores e o interesse público.

Cooperação internacional: parceria ou muleta?

O pedido de reconhecimento internacional, conduzido por administrador nomeado pelo Banco Central do Brasil, só produziu efeitos concretos quando submetido a uma jurisdição estrangeira. É sintomático: o país precisou assistir de fora enquanto outro atuava com eficiência.

Quando a Justiça estrangeira age antes, melhor e com mais clareza do que a nacional, o problema não está lá fora — está aqui dentro: numa cultura institucional que confunde prudência com paralisia e formalismo com justiça.

O padrão se repete. Grandes grupos econômicos raramente enfrentam respostas rápidas; os pequenos, sim. Fica a sensação de dois pesos e duas medidas: rigor imediato para os vulneráveis, complacência estrutural para quem domina a engrenagem financeira e jurídica.

Consequências e urgência de mudança

Enquanto o Brasil aceitar que investigações financeiras relevantes se arrastem indefinidamente, decisões tomadas no exterior seguirão expondo nossa fragilidade — não como exceção, mas como regra.

Isso não é apenas uma falha jurídica: é um problema político, institucional e moral. Exige-se maior coordenação entre órgãos, prazos processuais mais eficazes e instrumentos que impeçam a diluição de patrimônios em períodos decisivos.

Sobre o autor

Paulo Moranza — Ex-prefeito de Sumaré e empresário.
Paulo Moranza — Ex-prefeito de Sumaré e empresário.

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