sexta-feira, 27 fevereiro, 2026
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Arquitetura e bem‑estar: adaptações para casas de idosos

Com o crescimento da população acima de 60 anos — que corresponde a quase 16% do total do país, segundo o censo 2022 — arquitetura e decoração passam a ser elementos centrais para garantir segurança, funcionalidade e qualidade de vida na residência dos idosos.

O que é

A arquitetura para a longevidade é um planejamento que contempla adaptações imediatas e soluções para médio e longo prazo destinadas a pessoas com 60 anos ou mais, suas famílias e cuidadores. O objetivo é reduzir riscos à integridade física e facilitar a rotina doméstica, integrando estética e funcionalidade.

Projetos bem pensados consideram a rotina e as mudanças trazidas pelo envelhecimento, preservando o conforto sem perder o estilo.

“A arquitetura não é para ser vista, é para ser vivida.”

Paulo Mendes da Rocha

Mobiliário e tapetes

No mobiliário, prefira peças com estofamento mais firme e ergonomia adequada, que facilitem o movimento para sentar e levantar; a altura do assento deve permitir apoiar os pés no chão e acomodar a coluna.

O uso de tapetes exige cuidados para não se tornarem riscos de queda: atenção ao tamanho, fixação (por exemplo, fita dupla face) e bases antiderrapantes. Evite materiais que se dobram com facilidade.

  • Sofás e poltronas: sobra recomendada de 20 a 30 cm sob os móveis.
  • Salas de jantar: acrescentar 75 a 100 cm para considerar o deslocamento das cadeiras.
  • Dormitórios: prever 60 a 70 cm nas laterais para circulação segura; em passadeiras, embutir o começo na base da cama para evitar tropeços.

Circulação e portas

Para circulação segura, portas de entrada, salas e dormitórios devem ter no mínimo 80 cm de largura, com 90 cm como medida ideal para acomodar cadeira de rodas ou andador. Embora o banheiro deva ter, minimamente, 60 cm, padronizar larguras similares aos demais ambientes facilita a mobilidade.

Cozinha e segurança

Na cozinha, o piso não pode ser escorregadio: porcelanatos polidos em contato com água e gordura aumentam o risco de quedas. A circulação deve ser conveniente, evitando quinas e descontinuidades em bancadas.

Para reduzir riscos de vazamentos e queimaduras associados ao gás, o uso de cooktop por indução é indicado, já que o aquecimento ocorre apenas em contato com a panela, não na superfície.

Degraus e pisos

O corrimão é um apoio obrigatório e útil para todas as idades. A arquiteta Rosangela Pena exemplifica a combinação de funcionalidade e design ao instalar LED no corrimão para facilitar a visualização dos degraus à noite.

Quanto ao revestimento, acabamentos acetinados oferecem maior estabilidade e pisos com alto coeficiente de atrito diminuem a probabilidade de queda, principalmente em áreas molhadas.

Dormitório e banho

No dormitório, atenção à altura da cama e à firmeza do colchão: peças muito baixas ou muito altas, ou um colchão excessivamente mole, dificultam o ato de levantar-se e podem agravar dores crônicas decorrentes da postura.

O banheiro é o epicentro da acessibilidade: além das barras de apoio indispensáveis, o revestimento do piso deve apresentar alto coeficiente de atrito para prevenir escorregões em áreas molhadas.

Pequenas adaptações

Adaptações discretas — da escolha do mobiliário à fixação de tapetes, da largura de portas à iluminação de corrimãos — transformam residências em espaços mais seguros e confortáveis tanto para o idoso quanto para quem convive com ele.

Integração entre estética, funcionalidade e prevenção de riscos permite morar com mais autonomia e qualidade de vida.

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