O arquiteto Paulo Tripoloni apresenta critérios técnicos e práticos para orientar a escolha entre reformar ou demolir uma residência, destacando que a decisão deve considerar estrutura existente, custos, infraestrutura e exigências legais.
Avaliação estrutural
O primeiro passo recomendado é a avaliação profissional da estrutura do imóvel por arquiteto ou engenheiro. Esse diagnóstico identifica problemas como fissuras, recalques, fundações frágeis e paredes portantes que podem inviabilizar mudanças de layout.
Em muitos imóveis antigos, intervenções anteriores sem cálculo e improvisos construtivos comprometem a estabilidade e podem tornar a reforma antieconômica.
Levantamentos necessários
Quando a planta original não está disponível, é preciso realizar levantamento cadastral detalhado e, em áreas externas, levantamento topográfico. Esses procedimentos fornecem dados precisos sobre o terreno e evitam erros de projeto.
Após o diagnóstico estrutural, o profissional deve mapear as necessidades do cliente e simular custos comparativos entre reforma e reconstrução.
Infraestrutura e redes
A infraestrutura hidráulica e elétrica costuma ser um dos maiores desafios em reformas. Tubulações antigas frequentemente apresentam vazamentos ocultos e não suportam sistemas modernos de aquecimento ou pressurização.
Da mesma forma, a parte elétrica raramente atende às demandas atuais de eletrodomésticos de alta potência, automação residencial e integração com energia solar, o que muitas vezes exige a substituição integral das redes.
Cronograma e convivência
O cronograma da obra também influencia a decisão: reformas tendem a ser mais imprevisíveis, porque imprevistos estruturais podem surgir durante a execução e elevar tempo e custo. A demolição, quando bem planejada, pode oferecer maior previsibilidade ao possibilitar uma base nova e controlada.
A vivência dos moradores deve ser considerada, já que reformas podem requerer desocupação temporária devido a barulho e poeira.
Custos e critérios
Segundo o critério apresentado, quando a soma das intervenções necessárias ultrapassa 60% do valor de uma nova construção, reconstruir passa a ser a decisão mais lógica. A reconstrução ainda permite aplicar materiais modernos e melhorar o desempenho térmico do imóvel.
É natural que as pessoas pensem que reformar sempre será mais barato do que demolir. Mas, em muitas situações, quando falamos de casa, reforçar uma estrutura antiga sai mais caro e menos eficiente do que começar do zero. A demolição, quando bem planejada, deve ser entendida como uma etapa de reconstrução, nunca como destruição sem propósito.
Licenciamento e patrimônio
A demolição exige licenciamento junto à prefeitura, com apresentação de laudos e projetos, e é ainda mais rigorosa em imóveis tombados ou em áreas de preservação. Toda demolição precisa de respaldo legal para evitar multas e embargos.
Reaproveitamento e sustentabilidade
Na hipótese de reformar, o reaproveitamento de materiais como madeiras, telhas e tijolos reduz a geração de resíduos, e elementos originais — portas, pisos ou esquadrias — podem ser preservados, valorizando a história do imóvel.
Entre as adaptações frequentemente necessárias estão infraestrutura de gás e aquecimento central, instalação de automação e painéis solares, além de soluções para reúso de água.
Conclusão
A escolha entre reformar ou demolir depende das condições estruturais e da capacidade da infraestrutura existente suportar as adaptações desejadas. Imprevistos podem alongar o cronograma de reformas, enquanto a demolição, quando tecnicamente justificada e licenciada, pode simplificar o processo e oferecer maior previsibilidade.