Criar filhos é amar e, ao mesmo tempo, gerir conflitos diários. Quando a teimosia vira rotina, pais e cuidadores precisam de estratégias simples, afetuosas e consistentes — não de culpa.
1) Entenda a raiz do problema
Antes de reagir, pergunte-se: o que a criança precisa agora? Comportamentos desafiadores frequentemente são sinais de necessidades não atendidas.
“O mau comportamento é uma forma bruta de solução de problemas. As necessidades da criança não estão sendo atendidas. Às vezes, as necessidades são realmente básicas.”
Ação prática:
- Cheque sono, fome, superestimulação ou necessidade de atenção.
- Se birras acontecem no fim do dia, reduza estímulos e ofereça um lanche leve antes da rotina noturna.
2) Conecte-se antes de corrigir
A influência sobre o comportamento vem da relação. Restabelecer conexão facilita que a criança aceite orientações.
“A motivação (dos filhos) para ‘se comportar’ vem de sua conexão com você, então, você tem que restabelecer a conexão antes que você possa influenciar seu comportamento.”
Ação prática:
- Use 1–2 minutos de atenção plena: ajoelhe-se, olhe nos olhos e nomeie o sentimento (“vejo que você está irritado”).
- Exemplo de abordagem: “Venha aqui um minutinho, quero ouvir você” antes de impor uma regra.
3) Reforce o comportamento positivo
Focar no que deu certo aumenta a probabilidade de repetição do bom comportamento e fortalece a dinâmica familiar.
“A criança deve saber que obedecer aos pais contribui para o desenvolvimento de uma dinâmica familiar harmoniosa, na qual todos são recompensados.”
Ação prática:
- Elogie de forma específica e imediata: “Adorei como você guardou os blocos sozinho.”
- Ofereça pequenas recompensas previsíveis (tempo extra de leitura, escolha de música).
- Use quadros de conquista simples para crianças pequenas.
4) Faça combinados claros e cumpra as consequências
Envolver a criança na criação de regras dá sentido e compromisso, mas a consistência do adulto é essencial.
“O pai não pode flexibilizar o que foi acordado só porque está ocupado ou com pressa. Quanto menor for a criança, mais ela precisa de um campo seguro.”
Ação prática:
- Crie combinados curtos e visuais — por exemplo, 3 regras da casa.
- Explique consequências proporcionais e imediatas: se não guardar um brinquedo, peça para repetir a tarefa com ajuda do adulto e reduza 5 minutos do tempo de tela combinado.
5) Peça ajuda quando for preciso
Alguns padrões exigem avaliação e intervenção profissional. Procurar apoio é uma atitude de cuidado, não de fracasso.
Ação prática:
- Consulte um psicólogo infantil ou familiar quando houver agressividade persistente, regressões (enurese, perda de fala), isolamento social ou queda acentuada no rendimento escolar.
- Procure ajuda também se o conflito rouba o bem-estar da família, mesmo após tentativas consistentes de mudança.
Sinais que justificam encaminhamento a um psicólogo
- Agressão que coloca em risco a criança ou outros;
- Comportamentos que persistem por meses sem melhora apesar de mudanças consistentes;
- Alterações bruscas no sono, apetite ou rendimento escolar;
- A criança fala frequentemente de autolesão ou mostra medo constante.
Palavras finais
Nada garante que todos os dias serão fáceis, mas pequenas ações repetidas — conexão, rotina, reforço e limites ajustados à idade — mudam trajetórias. Buscar ajuda profissional não é sinal de fracasso; é cuidado responsável.
Fonte: Telavita




